Seguindo Kardec ...

" Dissemos que o Espiritismo é toda uma ciência, toda uma filosofia. Quem, pois, seriamente queira conhecê-lo deve, como primeira condição, dispor-se a um estudo sério e persuadir-se de que ele não pode, como nenhuma outra ciência, ser aprendido a brincar. “

Livro dos Médiuns - Capítulo III

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Resumo Vultos do Espiritismo no Brasil 2


Com a proposta de ser um conteúdo inicial para 
pesquisa do projeto 2013 da Escola Francisco de Assis , 
repasso aos interessados a pesquisa realizada por nossa coordenadora D. Jaci .

HISTÓRIA DO ESPIRITISMO NO BRASIL 


      Introdução ao trabalho de pesquisa a ser realizado por todos os integrantes da nossa escola sobre “Grandes Vultos do Espiritismo no Brasil”.

Bibliografia Consultada
1)   História Ilustrada do Espiritismo no Brasil - Eugênio Lara – Centro de Pesquisa e Documentação Espírita – 02/2002;

2)   O Espiritismo e a sua difusão no Estado do Rio – Notas Introdutórias - Azevedo, Hebert Guilherme de (UERJ);


3)   O Livro dos Espíritos e sua Tradição Histórica e Lendária de Canuto Abreu, Edições LFU;

4)   Da elite ao povo: advento e expansão do Espiritismo no R. J. (Damázio, S. F, R. J. Bertand – Brasil – 1994);


5)   Túnel do Tempo – as 1ªs primeiras publicações espíritas no Brasil – Eduardo Carvalho Monteiro – Editora Madras;

6)   Intelectuais, espíritas e abolição da escravidão: os projetos de reforma da imprensa espírita – 1867 – 1888 de Daniel Simões do Valle.








INTRODUÇÃO
“Movimento Espírita Brasileiro – Seus Primórdios“

       Espiritismo foi o termo criado por Hippolite Leon Denizart Rivail (Kardec) para designar uma doutrina surgida em meio a um movimento espiritualista moderno e onde se destaca a interação entre espíritos e médiuns e sendo Kardec somente o Codificador.
       Em 1857 houve a publicação do Livro dos Espíritos, onde a Filosofia Espiritualista iria tratar dos princípios da Doutrina Espírita sobre a imortalidade da alma, a natureza dos espíritos e suas relações com os homens, as leis morais, a vida presente, a vida futura e o porvir da humanidade, segundo os ensinos dados por Espíritos Superiores com o concurso de diversos médiuns, todos coordenados por Allan Kardec. Em 1861 surgiu o “Livro dos Médiuns” e em 1864 a “Imitação do Evangelho Segundo o Espiritismo” que depois passou a ser chamado “O Evangelho Segundo o Espiritismo”. No ano de 1865 foi publicado o “Céu e o Inferno” e em 1868 “A Gênese“. Assim os primeiros exemplares do Livro dos Espíritos atravessaram o Atlântico e vieram para o Brasil trazido por imigrantes franceses.
       Desde a chegada da Família Real ao Brasil (l808) várias modernizações foram realizadas principalmente no R.J, sede da Corte. A busca religiosa em nosso país já era muito grande e experiências sobre o magnetismo animal e mesmerismo se popularizaram baseados nas experiências das “Mesas Girantes”, e no R.J, realizavam-se reuniões com finalidade de comunicação com os espíritos.
       Em 1840 integrando a Missão Francesa chegou ao Rio o médico Pedro Luiz Napoleão Chernoviz.  Seu “Dicionário de Medicina Popular  e de Ciências necessárias para uso das Famílias“ falando sobre doenças e práticas curativas relacionadas ao Magnetismo Animal e Sonambulismo foi de grande aceitação na Sociedade Brasileira.
       As idéias espiritualistas e a comunicação dos homens com os espíritos  já era uma prática  desde os tempos coloniais pela presença de cultos indígenas e africanos. Lembramos que por volta de 1549 o 1º contingente de escravos africanos desembarcou no Brasil e no Século XVIII a média dos que aqui entraram foi de 55.000. Nos 1ºs séculos a população brasileira foi se formando com resultado da mistura em uma matriz cultural de elementos do colonizador branco e católico, escravos negros, índios aculturados e mestiços.
       Muitos pesquisadores concordam que o Espiritismo sofreu uma mudança na sua transposição para o nosso país, pois na França, onde teve a sua origem, prevalecia a ênfase no aspecto experimental e científico da doutrina e no Brasil o que dominou foi à feição mística e religiosa. As classes populares aceitaram o Espiritismo pelo seu caráter terapêutico. A prática da Caridade uniu os vários grupos espíritas que se formaram no R.J através dos médiuns receitistas.
       A expansão do Espiritismo encontrou resistências na sociedade e pelas autoridades devido ao exercício alternativo da Medicina e só a partir de 1940 com a Reforma do Código Penal é que se deixou de criminalizar explicitamente a Pratica do Espiritismo.
       Na corte em 1853, ficou conhecido um grupo de experimentadores dirigido pelo médico e historiador Mello Moraes e do qual também fizeram parte, o Marquês de Olinda, o Visconde de Uberaba, o médico Sabino Olegário Ludgero Pinto, o Barão de Cairu (Bento da Silva Lisboa) etc.
       Ainda em 1853 a novidade das “mesas girantes” se espalhou por intermédio de notícias do “Jornal do Comércio do Rio de Janeiro” que passou a levantar hipóteses para a explicação sobre a ação magnética no tratamento de moléstias No dia 12 de agosto de 1854 noticiou-se a evocação de espíritos através da mesa: “a evocação se faz por intermédio de um iluminado a que se dá o nome de médium.”
       O Jornal “Courrier du Brésil” em outubro de l854 publicou anúncio de livros da Livraria de Pinto e Waldemar (Rua do Ouvidor 87, Rio de Janeiro) onde era citado. “Os arcanos da vida futura desvelados”, de Alphonse Cahagnet, obra que Kardec indicava como precursora do Espiritismo. A venda desse livro no Brasil é prova de que as idéias espíritas já circulavam por aqui. É importante se dizer que o proprietário do Jornal “Courrier du Brésil” era adepto do Espiritismo.
       Mas, quanto à divulgação do Espiritismo no nosso país até a década de 1860, o estudo dos conhecimentos espíritas era feito no idioma francês, quando surgiu em Português (l860) a obra “Os tempos são chegados” de autoria de Casimir Lieutaud,  professor, fundador e diretor do Colégio Francês situado na Rua do Cano 52, atual 7 de setembro, no Rio de Janeiro e pioneiro da divulgação do Espiritismo no Brasil.
       Em julho de 1864 na “Revue Spirite”, página 289, Kardec escreveu: “verificamos, com satisfação, que a idéia espírita faz progressos sensíveis no Rio de Janeiro, onde ela conta com numerosos representantes, fervorosos e devotados. A pequena brochura.“O Espiritismo na sua mais simples expressão” publicada em língua portuguesa, muito contribuiu para ali espalhar os verdadeiros princípios da doutrina”.
       Esta citação refere-se à primeira obra de Kardec, editada em Português por Alexandre Canu, francês que colocou sua vasta cultura e inteligência à serviço da Codificação. Esta obra pela linguagem simples e custo baixo tinha por objetivo popularizar a Doutrina Espírita. Foi lançada primeira em francês, em 1862 com versões em alemão, polonês, grego moderno e português sob os auspícios do próprio codificador.
       Em 7 de setembro de 1865, em Salvador na Bahia foi fundado o 1º grupo espírita brasileiro ”Grupo Familiar de Espiritismo“ tendo Luis Olimpio Teles de Menezes como 1º dirigente.  Em 1869 surgiu o 1º Jornal Espírita no Brasil em Salvador, na Bahia “O Echo d´além Túmulo”.  No Rio de Janeiro em 2/08/1873 foi fundada a Sociedade de Estudos Espiríticos “Grupo Confúcio” que prestou grandes serviços ao Espiritismo não só pelo seu pioneirismo, mas porque publicaram a tradução do Livro dos Espíritos e do Livro dos Médiuns de Kardec e pelo atendimento gratuito aos necessitados (homeopatia e passes). A Reunião de 03/10/1873 de grande valor histórico foi apresentado o seu Regulamento e na ocasião foram recebidas duas psicografias através do médium Madame Pimet: uma de Confucius, guia protetor do grupo e outra do próprio Kardec (já com 5 anos de desencarnado). Em 1875 o Grupo Confúcio iniciou o 2º periódico no Brasil “Revista Espírita” dirigida por Antonio Silva Neto.
       Ao encerramos este pequeno relato sobre os momentos iniciais do Espiritismo no Brasil o fazemos com uma singela homenagem a todos os seus pioneiros relembrando de Casimir Lieutaud, aquele professor aprovado pelo Conselho Diretor da Instrução Publica no R.J fundador e diretor do Colégio Francês, situado onde hoje é a Rua 7 de setembro e já citado neste trabalho, mas que foi também Tesoureiro do Grupo Confúcio e grande amigo de Luiz Olimpio Telles de Menezes, sendo correspondente nos anos em que esteve na França, do Jornal “Echo d’além Tumulo“. Em 02 de janeiro de 1884 foi fundada a Federação Espírita Brasileira por Augusto Elias da Silva e o Reformador passou a ser órgão oficial desta entidade e novamente Casimir Lieutaud vai aparecer na lista de assinaturas dos membros fundadores mostrando que ele ainda estava firme no seu caminho cheio de ideais na difusão do Espiritismo aqui entre nós.
A Coordenação



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